Quando e como aconteceu o seu chamado para o diaconato permanente?
Diácono – Após o engajamento pastoral, meu e de minha esposa, logo após um encontro de casais com Cristo em 1987, nós passamos por um período formativo na Escola Mater Ecclesiae e no Instituto Superior de Ciências Religiosas, de D. Estevão Bitencourt. E passamos a admirar ainda mais o testemunho do Diácono José Pedro (hoje na Diocese de Petrópolis), em nosso trabalho conjunto na catequese de Perseverança da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Engenho Novo. Em 2003, pela graça de Deus, iniciei o período propedêutico, que dá acesso à formação diaconal na escola Santo Efrém, até a ordenação em 2007.
Quais as principais funções do diácono permanente?
Diácono – Dedicar-se, prioritariamente, às tarefas de caridade e de administração; organizar comunidades que estão começando; preparar e administrar o Batismo solene; conservar e distribuir a Santíssima Eucaristia; assistir, em nome da Igreja, matrimônios e abençoá-los; levar o Viático aos gravemente enfermos, mas sem fazer a unção dos enfermos; servir nas liturgias solenes; proclamar o Evangelho aos fiéis; instruir e exortar o povo (fazer a homilia); presidir o culto e a oração aos fiéis; administrar os sacramentais, inclusive a Bênção solene do Santíssimo Sacramento; presidir os ritos das exéquias e da sepultura;
O que é preciso para ser um bom diácono?
Diácono – Maturidade pessoal (personalidade equilibrada); equilíbrio afetivo-emocional; capacidade de liderança; capacidade intelectual (Ensino Médio concluído); espírito de equipe e ainda qualidades espirituais. Precisa ter a aprovação da família e integração adequada à hierarquia da igreja e à fraternidade diaconal.
Qual a importância dessa vocação para a Igreja Católica?
Diácono – Segundo nosso pastor, dom Orani João Tempesta, a retomada desse ministério é uma grande riqueza para a Igreja. “Afinal – disse nosso Arcebispo – a comunidade paroquial é fonte de vocações de homens que estão dispostos a uma doação mais radical e profunda pela causa do Evangelho.” O diácono é um evangelizador em potencial, já que está, como profissional, dentro das fábricas, universidades e empresas. Ele é diácono 24 horas por dia. O jeito dele ser e viver é a sua forma de evangelizar.
Quanto tempo dura e como é feita a formação (preparação) do diácono permanente?
Diácono – A formação é realizada na Escola Diaconal Santo Efrém através de um ano no chamado período propedêutico, destinado a um discernimento vocacional, conhecimento e aprofundamento espiritual com a Liturgia das Horas entre outros estudos. Seguem-se quatro anos formativos com matérias diversas e relacionadas às obrigações do diácono na Igreja.
O que é o Ministério do Leitorado para os candidatos a diáconos?
Diácono – Leitorado é um ministério desenvolvido por membros da comunidade, devidamente escolhidos para uma participação mais atuante nas celebrações litúrgicas através da leitura bíblica. Para os candidatos ao diaconado é uma oportunidade de já servir às comunidades como leitor instituído nas celebrações e se preparar para sua futura vocação.
Quais foram as principais dificuldades até o dia de hoje?
Diácono – No período formativo o afastamento da família todos os sábados, durante cinco anos, além do próprio processo educacional, com trabalhos e avaliações. Atualmente este afastamento ainda acontece agora de forma mais intercalada. Nosso grande desafio é equilibrar, evitando qualquer tipo de tendência, a vida familiar, profissional e eclesial.
Quais foram as melhores alegrias até o momento?
Diácono – Apesar de todas as dificuldades e desafios inerentes a vocação diaconal, muitos são os momentos de alegria e realização neste chamado de Deus. Em especial, creio que o momento de maior satisfação acontece quando celebro os batizados. Não só porque é um momento de grande oportunidade de anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo, como pela oportunidade de participar do nascimento de novos filhos para Deus.
Seguindo o exemplo de Santo Estevão, o diácono precisa dar a vida para testemunhar Cristo e perdoar os perseguidores?
Diácono – Sim, a Igreja apresenta em sua história, a partir do proto-diácono Santo Estevão, vários santos-mártires que souberam entender o amor de Deus e encarnaram na vivencia da fé, ser um outro Cristo, como disse São Paulo: “pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim.”(Gl 2,19 e 20)
Qual a sua palavra de incentivo para os diáconos de hoje e para as futuras vocações? E para as famílias?
Diácono – Que meus irmãos no diaconado possam caminhar perseverando na certeza de que Aquele que o chamou a viver sua vocação, estará sempre a sua frente, esperando que nos alegremos com os que se alegram e choremos com os que choram; visitando os enfermos, os prisioneiros e ajudando aos pobres, prediletos de Deus. Que suas famílias se sintam também vocacionadas a viver e também testemunhar este amor de Deus, partilhando dom tão especial com outras famílias.
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